Blocos de carnaval promovem a inclusão social pelas ruas do Rio

O carnaval reflete manifestações culturais populares e a diversidade. É tradicionalmente uma festa do povo, feita para todos. E para promover verdadeiramente essa integração social, blocos inclusivos desfilam pelo Rio de Janeiro a partir do próximo domingo. O Alegria Sem Ressaca, que faz prevenção ao abuso de álcool e uso de drogas, faz seu cortejo pela orla de Copacabana no dia 28. Promovido pelo psiquiatra especialista em dependência química, Jorge Jaber, ex-presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), a ideia do bloco é mostrar um carnaval de conscientização.

— Como presidente da Abrad na época, nós decidimos criar um movimento de promoção da saúde e de prevenção ao uso excessivo de substâncias químicas. Há uma aproximação entre profissionais da área, pacientes e a sociedade. E não há proibição de bebidas alcóolicas dentro do bloco, o que não pode é abusar desse uso. A ideia é sempre de conscientização — conta Jaber.

A cantora e atriz Ellen de Lima, de 79 anos, eterna rainha do rádio, vai animar os foliões. O samba ficará por conta de Adilson da Vila, da Velha Guarda Musical da Vila Isabel. O bloco terá concentração às 9h, na esquina da Av. Atlântica com Rua República do Peru.

Bloco Eficiente faz seu desfile na Praça Paris, na Glória

Também no dia 28, o Bloco Eficiente faz seu cortejo pela Praça Paris, na Glória, Zona Sul, às 16h. A jornalista Bruna Saldanha, idealizadora do bloco, conta que a ideia surgiu da sua paixão pelo carnaval e da experiência com a filha Izabel, de 9 anos, que tem paralisia cerebral e sempre esteve presente nos blocos de rua com a mãe. Para ela, o importante é reunir vivências semelhantes em uma festa onde todos são bem-vindos. Em 2014, Bruna compôs a Marcha da Cadeirinha, hoje hino do bloco. “Sou cadeirante com muito orgulho. Sou cadeirante com muito amor. Inteligente, sou desse jeito. Cante comigo e leve embora o preconceito”, diz a letra.

— A cada ano, mais pessoas chegam e se juntam ao nosso grupo. Nossa bateria hoje conta com integrantes com necessidades especiais. Fizemos o nosso primeiro ensaio este ano e conseguimos organizar um pouco melhor a trilha musical, que conta inclusive com paródias de marchinhas famosas para chamar a atenção para esse assunto tão importante.

Seguindo a onda da inclusão e da criatividade, o “Senta que eu Empurro” foi fundado em 2008 por pessoas com deficiência e desfila toda sexta-feira de carnaval no Catete, às 19h. A a organizadora Ana Cláudia Monteiro destaca que o objetivo do bloco é dar visibilidade, integrar e socializar de forma descontraída, promovendo sempre a alegria e a autoestima.

O bloco

O “Tá Pirando, Pirado, Pirou!”, fundado em 2004, é outro exemplo de blocos que buscam a inclusão social. Naquele ano, um paciente do Instituto Municipal Philippe Pinel, em Botafogo, também na Zona Sul, decidiu que era hora de juntar “as loucuras” e de brincar carnaval na rua, junto com os outros foliões. O enredo deste ano homenageia Dona Ivone Lara. Para que o bloco possa desfilar pela Av. Pasteur, no dia 4, às 15h, os organizadores promoveram uma vaquinha online. Dos R$10 mil necessários, já arrecaradam R$7.720.

— O samba não pode parar, nem a reforma psiquiátrica. Se não a gente fica andando igual a caranguejo, para trás — afirma Lélis Peres, compositora do samba deste ano.

Na Zona Norte, no bairro do Engenho de Dentro, nasceu o bloco “Loucura Suburbana”, como parte integrante do processo de desconstrução do modelo asilar do Instituto Municipal Nise da Silveira. Reunindo usuários, familiares e funcionários da casa de saúde mental, além de amigos e moradores da região, o desfile acontece toda quinta-feira antes do carnaval, às 17h, acompanhado da bateria A Insandecida.

Ensaio do bloco Loucura Suburbana, projeto do Hospital Nise da Silveira (05.02.2016)

 

Mas nem todos os blocos inclusivos poderao fazer o seu desfile em 2018. Por conta da crise financeira e da falta de recusos, o bloco Gargalhada, que reúne principalmente surdos-mudos, ficará apenas dentro da Associação Atlética Vila Isabel, na Av. 28 de setembro, Zona Norte. De acordo com a presidente do bloco e da associação, Yolanda Braconnot, o baile será totalmente inclusivo, com entrada gratuita, no dia 13 de fevereiro, às 17h.

— Nosso lema é “se quiser entrar, é só gargalhar”. Misturamos todas as pessoas, todas as necessidades especiais. Se Deus quiser o próximo ano será mais próximo, e poderemos voltar a fazer o nosso cortejo. Mas com certeza a alegria neste ano não será menor.

Fonte: Extra

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