Câmara promove evento para debater políticas públicas voltadas a surdos

O seminário #SurdoEmFoco discutiu ensino bilíngue, acessibilidade em órgãos públicos e privados e processo seletivo

Após audiência pública que debateu a institucionalização do Centro de Atendimento ao Surdo (CAS) no Distrito Federal, no início deste ano, observou-se a necessidade de expandir o debate sobre as políticas públicas de pessoas com deficiência auditiva. Com esse objetivo, a Câmara Legislativa promoveu, nesta segunda-feira (28/8), o seminário #SurdoEmFoco.

Filha de pais surdos, Ronice Muller Quadros vivenciou de perto a falta de atenção que essa parcela da população sofre. Hoje, é doutora no assunto e também pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Durante o seminário, ela abordou a educação. “É preciso criar uma política pública que favoreça manter escolas para surdos. Elas existem, mas estão sendo fechas e sucateadas. É preciso fortalecer essas instituições de ensino em vez de enfraquecê-las ”, alerta.

Ronice defende as escolas bilíngues, lugares em que são ensinadas tanto o português quanto a Libras. “Os colégios que têm uma separação fazem com que os deficientes auditivos tenham dificuldades em se inserir na educação. Eles acabam sendo excluídos do processo educacional”, observa. “Como construir conhecimento nessa situação? É muito difícil”, complementa.

O DF conta com apenas uma escola com essas características, localizada em Taguatinga. A instituição é a primeira da capital voltada especificamente para pessoas com deficiência auditiva. A escolha da região se deu pelo número da população surda em Taguatinga e Ceilândia. São atendidos estudantes em todas as etapas do ensino básico e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A diretora da Educação Especial da Secretaria de Educação, Cláudia Madoz, percebe que a inclusão dos surdos tem aumentado. “Já é possível enxergar a diferença de como era anos atrás e como é agora. Claro que não vai ser nada de um dia para o outro, mas, aos poucos, estamos conseguindo”, declara.

Debate

“Nossa proposta é dar protagonismo aos deficientes auditivos para que tenham participação efetiva na construção e fiscalização de políticas públicas que venham ao encontro de seus interesses, abrindo também caminho para que seja criada uma frente parlamentar em defesa das pessoas com deficiência”, disse presidente da CLDF, deputado Joe Valle (PDT), na abertura do evento.

O deputado Robério Negreiros (PSDB), segundo secretário da Câmara Legislativa, informou que foi realizada licitação para disponibilizar serviços de intérprete de Libras em todas as atividades legislativas, seja no plenário ou nas comissões. Segundo ele, o contrato deverá ser firmado esta semana.

Estavam presentes também o subsecretário de Educação Básica do DF, Daniel Crepaldi; o titular da Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Gutemberg Gomes; o diretor da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), João Renato Dias Rodrigues; o presidente da Fecomércio, Adelmir Santana; o professor de Linguística da UnB, João Paulo Vitório Miranda, e a professora de Libras do Instituto Federal de Brasília (IFB), Renata Resende.

O seminário durou o dia todo, e discutiu ainda a acessibilidade em órgãos públicos e privados e o processo seletivo. As conclusões dos trabalhos servirão de base para a construção coletiva de um documento para subsidiar a formulação de proposições na Câmara Legislativa. Foram entregues, pela manhã, moções de louvor a entidades públicas e privadas que desenvolvem projetos e programas voltados ao atendimento de deficientes auditivos e famílias.

Fonte: Correio Braziliense

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