A inclusão dos surdos na Gastronomia

Apesar da discussão sobre a inclusão social ser antiga, e de várias leis serem criadas sobre o assunto, ainda falta muita coisa para o Brasil avançar nessa área. Foi pensando nisso que a estudante Claudia Esquilante Melo, da PUC-SP, e também da equipe de Prazeres da Mesa, escolheu como tema de seu trabalho de conclusão de curso de Fonoaudiologia a inclusão de chefs surdos. O tema despertou interesse e, depois de sua apresentação à banca examinadora, ocorreu um debate, não só para falar sobre o tema, mas também sobre sua continuidade no meio da gastronomia. Participaram do colóquio Georges Schnyder e Ricardo Castilho, de Prazeres da Mesa, a jornalista Roberta Malta, o chef Carlos Ribeiro, as professoras Maria Cecília de Moura e Kathryn Marie Pacheco Harrison, e o chef surdo Phelipe Diaferia.

“Parto sempre do princípio de que as pessoas que possuem alguma deficiência desenvolvem e apuram outras habilidades, com os outros sentidos”, diz a jornalista Roberta Malta, do portal iG. Além disso, o fato de um profissional da cozinha não escutar faz com que ele seja mais focado, mais concentrado em seu trabalho. “Essa forma diferente de trabalhar, com menos estresse e mais foco, poderia ser uma nova vertente para a gastronomia.”
Georges Schnyder ressalta que a questão da inclusão é fundamental. “Trabalhar na cozinha é difícil para todos, exige muita dedicação e cuidado, mas também é algo que proporciona muitas experiências. Dessa forma, acredito que a sensibilidade conta muito e que a falta de um dos sentidos aguça a percepção nas pessoas.”

Para o chef Carlos Ribeiro, do restaurante Na Cozinha, em São Paulo, o contato com o diferente veio sem ele saber. “Estava dando aula anos atrás e, durante uma discussão, descobri que tinha um aluno deficiente auditivo”, diz Ribeiro. “Ninguém havia me avisado, eu não tinha preparado nada especial, e tivemos de nos adaptar.”

Quem conhece os bastidores de uma cozinha sabe que o chef que comanda tem de ter voz ativa, e que é um ambiente de muita gritaria, mas, segundo Ribeiro, com força de vontade é possível mudar isso e implantar outros tipos de comando. “A dificuldade na profissão existe para todas as pessoas, e elas têm de saber lidar com suas limitações”, afirma Ribeiro. “O mercado de trabalho não está preparado para algumas deficiências, mas é importante lembrar que o cara que senta no seu restaurante não está interessado em saber se quem preparou a comida tem dois, três ou quatro sentidos, desde que esteja tudo perfeito.”

A professora doutora Kathryn Marie Pacheco Harrison acredita que muitas dificuldades poderiam ser evitadas se os deficientes entendessem suas limitações e suas possibilidades. “Feito isso, as pessoas terão de aprender a conviver com as diferenças, com as barreiras do outro”, diz Kathryn. A fonoaudióloga e professora Maria Cecília de Moura, doutora no assunto, sempre batalhou pela inclusão. “Essa luta passa por diversos campos, que vão além do entendimento e da aceitação da família e da sociedade. Atualmente, estou batendo muito na tecla de que a maior responsabilidade está com o governo”, afirma. “É preciso melhores condições de trabalho, além de incentivos fiscais, que possibilitem que as empresas realmente incluam as pessoas com deficiência auditiva.” Incluir é caro, não apenas pelos equipamentos especiais, mas também para educar as pessoas, para que saibam lidar uns com os outros.

O jornalista Ricardo Castilho reforça que a discussão acerca de chefs surdos é algo ainda pouco explorado e muito novo no Brasil. “Estamos engatinhando em relação à inclusão, pois na maioria das vezes acabamos nos preocupando apenas quando o tema está próximo de nós”, diz Castilho. “Podemos fazer tantas coisas, mas acabamos deixando tudo de lado. Se todos deixassem de lado o preconceito e tentassem entender e ajudar os deficientes a conhecer seu próprio mundo, tudo poderia ser mais fácil.”

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