‘Já cancelaram a corrida por eu ser surdo’, diz motorista da Uber

O professor de Libras do Senac, Milton Romero Filho, trabalha como motorista do aplicativo há 11 meses.

A funcionária pública Aline Cristina de Souza, de 30 anos, solicitou um carro pelo aplicativo Uber para levar o filho à escola e, depois, ir ao trabalho. Moradora de Jundiaí (Grande São Paulo), ela fez tudo como o usual: colocou o endereço de partida e de destino, escolheu o modo de pagamento e aguardou a confirmação da plataforma.

A surpresa, no entanto, veio em seguida. Aline recebeu uma mensagem do app avisando que o motorista que ia buscá-la é surdo e que a comunicação deveria ser feita por mensagens de texto dentro do próprio sistema. Como para pedir um carro é preciso informar o endereço de destino, o condutor já sabia para onde deveria levá-la assim que ela entrou no carro.

No caso da funcionária pública, o motorista parceiro era o professor de Libras (língua brasileira de sinais), Milton Romero Filho, de 41 anos, também de Jundiaí. “Fiquei muito feliz quando vi que existe inclusão no aplicativo. Essa foi a minha primeira corrida com uma pessoa com deficiência”, afirma Aline.

Ao entrar no veículo, Aline deu bom dia em Libras a Milton, pois à época ela já havia feito cinco aulas do curso básico da língua brasileira de sinais na Câmara Municipal de Jundiaí, onde trabalha. “A corrida foi um sucesso, pois a Libras é bem visual. Então, os sinais que eu desconhecia, ele me mostrava e conseguia compreender pelo contexto”, conta.

Para a funcionária pública, é muito importante a inclusão de pessoas com deficiência auditiva e também de outros tipos de deficiência na plataforma. “Elas têm habilidades muito mais desenvolvidas do que as nossas, como senso espacial e temporal excelentes, o que as tornam mais eficientes na direção muitas vezes.”

Milton nasceu sem deficiência auditiva, mas, com apenas um ano de idade, teve meningite, uma inflamação que causou a surdez permanente. Há sete anos, ele atua como professor de Libras do Senac pela manhã. “Eu me comunico bem e nunca cheguei a sofrer preconceito”, diz.

Já seu trabalho na Uber teve início há 11 meses, quando soube da oportunidade pelo Facebook. Hoje, ele realiza corridas pelo aplicativo todos os dias da semana: de segunda a sexta-feira, das 17h às 22h; aos fins de semana, das 8h às 18h. “Até hoje não tive problemas com passageiros, mas algumas vezes já cancelaram a viagem por eu ter deficiência auditiva”, ressalta o motorista.

O professor relata que buscou outros usuários, além de Aline, que sabiam Libras e puderam usar a língua de sinais para se comunicar dentro do veículo. O contato com as demais pessoas é tranquilo, segundo Milton, pois ele consegue indicar as informações básicas e a viagem ocorre normalmente.

Inclusão
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há mais de 10 mil motoristas surdos no Brasil. No caso dos parceiros da Uber que têm deficiência auditiva, o aplicativo pisca para informá-los de que há uma nova solicitação de corrida e também avisa ao cliente sobre a opção de conversa por mensagem.

Além disso, desde agosto de 2016, a empresa realiza uma série de sessões informativas para pessoas surdas ou com deficiência auditiva, em parceria com a Signa. Os eventos, acessíveis em Libras, foram promovidos em 12 cidades do Brasil para explicar tudo o que é necessário saber para se tornar motorista da Uber.

“Pessoas surdas provaram ser grandes motoristas, fazendo mais viagens por mês em média, com ótimas avaliações. Aqui no Brasil, contamos com diversos condutores que são deficientes auditivos e trabalhamos para aumentar este número e mostrar que a plataforma pode ser uma alternativa para gerar renda”, diz a companhia.

Veja como usar a função
A função de acessibilidade está disponível para todos os parceiros da Uber, portanto basta entrar na conta e ativar este recurso. Uma vez ativado, o que muda é o seguinte:

Para os motoristas: o aplicativo sinaliza com uma luz piscante que você está sendo solicitado para uma nova viagem, em vez do usual aviso sonoro.

Para os usuários: o aplicativo avisa que seu condutor é surdo, indicando a comunicação, caso necessária, por mensagens de texto dentro do próprio sistema.

Fonte: Catraca Livre

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