Música para surdos

Pesquisadora da PUC-SP defende a inclusão de pessoas com deficiência auditiva no universo musical por meio recursos de acessibilidade além da Língua Brasileira de Sinais. Tecnologias podem amplificar vibrações do som em partes do corpo, como pés e abdômen. Nesta terça-feira, 26 de setembro, celebramos o ‘Dia Nacional do Surdo’.

“A musicalidade faz parte do ser humano, que está constantemente exposto aos sons do meio-ambiente, do andamento da vida e das estações do ano”, afirma a pesquisadora e professora Nadir Haguiara-Cervellini, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Pode parecer contraditório dizer que uma pessoa surda ou com deficiência auditiva severa também é um ser musical, mas a apreciação de ritmos e melodias, inerente e necessária a todo o ser-humano, sem exceção, independe da audição”.

Pessoas que não tem a capacidade de escutar podem sentir a música por meio de vibrações. “Elas sentem os batimentos cardíacos, o ritmo ao andar, percebem harmonia e melodia por meio do corpo”. Por isso, a pesquisadora defende que essa parcela da população não seja privada da apreciação e da produção musical. “Temos que fazer um movimento para alertar as pessoas a respeito disso. Acreditar que a atividade musical não é conciliável aos surdos é um problema exclusivo dos ouvintes”.

Nadir Cervellini cita o exemplo de Ludwig van Beethoven, que perdeu a audição ao longo dos anos, mas continuou compondo com uso da memória musical e também de adaptações em seu piano, como a retirada das pernas do instrumento para que, sentado no chão, pudesse sentir as vibrações e reconhecer as notas musicais.

A professora destaca que as tecnologias atuais amplificam de muitas formas as vibrações do som em partes do corpo, inclusive nos pés e no abdômen. No Brasil, ela ressalta o crescimento do acesso à música pela população surda a partir de 2002, quando a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão.

Para a tradutora e intérprete de Libras Rebeca Nemer, a interpretação de uma música na Língua de Sinais coloca pessoas surdas ficam em igualdade no acesso à informação e ao conteúdo. O trabalho da especialista pode ser conferido no longa-metragem ‘Cine Gibi – Turma da Mônica’, primeiro DVD com a inclusão de Libras no Brasil.

Rebeca Nemer é casada com o cantor gospel Paulo César Baruk e participa do DVD do ‘Piano e Voz, Amigos e Pertences 2’. “Há 20 anos, não era comum oferecer acessibilidade a integrantes surdos de comunidades religiosas, mas agora queremos ampliar essa possibilidade para todos os tipos de deficiências”.

Luiz Alexandre Souza Ventura
25 Setembro 2017 | 12h52
Rebeca Nemer, Paulo César Baruk e banda tocam a música ‘Deus Eterno’, do grupo Oficina G3, com interpretação em Libras. Foto: Divulgação
Rebeca Nemer, Paulo César Baruk e banda tocam a música ‘Deus Eterno’, do grupo Oficina G3, com interpretação em Libras. Foto: Divulgação

“A musicalidade faz parte do ser humano, que está constantemente exposto aos sons do meio-ambiente, do andamento da vida e das estações do ano”, afirma a pesquisadora e professora Nadir Haguiara-Cervellini, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Pode parecer contraditório dizer que uma pessoa surda ou com deficiência auditiva severa também é um ser musical, mas a apreciação de ritmos e melodias, inerente e necessária a todo o ser-humano, sem exceção, independe da audição”.

Pessoas que não tem a capacidade de escutar podem sentir a música por meio de vibrações. “Elas sentem os batimentos cardíacos, o ritmo ao andar, percebem harmonia e melodia por meio do corpo”. Por isso, a pesquisadora defende que essa parcela da população não seja privada da apreciação e da produção musical. “Temos que fazer um movimento para alertar as pessoas a respeito disso. Acreditar que a atividade musical não é conciliável aos surdos é um problema exclusivo dos ouvintes”.

Nadir Cervellini cita o exemplo de Ludwig van Beethoven, que perdeu a audição ao longo dos anos, mas continuou compondo com uso da memória musical e também de adaptações em seu piano, como a retirada das pernas do instrumento para que, sentado no chão, pudesse sentir as vibrações e reconhecer as notas musicais.

A professora destaca que as tecnologias atuais amplificam de muitas formas as vibrações do som em partes do corpo, inclusive nos pés e no abdômen. No Brasil, ela ressalta o crescimento do acesso à música pela população surda a partir de 2002, quando a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão.

Para a tradutora e intérprete de Libras Rebeca Nemer, a interpretação de uma música na Língua de Sinais coloca pessoas surdas ficam em igualdade no acesso à informação e ao conteúdo. O trabalho da especialista pode ser conferido no longa-metragem ‘Cine Gibi – Turma da Mônica’, primeiro DVD com a inclusão de Libras no Brasil.

Rebeca Nemer é casada com o cantor gospel Paulo César Baruk e participa do DVD do ‘Piano e Voz, Amigos e Pertences 2’. “Há 20 anos, não era comum oferecer acessibilidade a integrantes surdos de comunidades religiosas, mas agora queremos ampliar essa possibilidade para todos os tipos de deficiências”.

Nesta terça-feira, 26, celebramos o ‘Dia Nacional do Surdo’, criado para lembrar a fundação primeira Escola de Surdos no Brasil na cidade de Rio de Janeiro, em 26 de setembro de 1857. Na época, o Imperador Dom Pedro II convidou o professor surdo E. Huet, da França, para vir ao Brasil lecionar para crianças surdas. A data foi oficializada por meio da Lei nº 11.796, de 29 de outubro de 2008.

De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, o Brasil tem 45,6 milhões de pessoas com deficiência. Desse total, 2.147.366 milhões têm deficiência auditiva severa. Pesquisas apontam que o número deve crescer com o aumento da população idosa no País, e também pela demora na identificação de problemas auditivos reversíveis quando constatados até 6 meses de idade.

Fonte: Estadão

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