A redação de quem entende: especialistas falam do desafio da educação de surdos

O desafio da educação de surdos virou um problema a ser resolvido na redação por cada um dos 7,6 milhões de inscritos do Enem 2017 — exame que terá sua segunda etapa na tarde deste domingo. O EXTRA ouviu quatro especialistas no assunto que respondem a questão: a integração dos deficientes auditivos aos que ouvem deve ser a meta.

A rede municipal de Educação do Rio tem 705 estudantes surdos. Eles são atendidos em 23 escolas que tem projetos vocacionados para essas crianças. Eles são atendidos, em sala de aula, por um intérprete e também tem uma formação complementar no contra-turno de Libras, a língua brasileira de sinais.

— O maior desafio hoje para qualquer processo educacional é a formação do profissional. Tanto a formação continuada, quanto a inicial. Quanto melhor se prepara o profissional, melhor é para o aluno — afirma Kátia Nunes, diretora do Instituto Helena Antipoff, órgão da prefeitura que capacita profissionais para a educação de crianças especiais: — Quando um aluno surdo entra numa turma regular, há o impacto da diversidade para os outros estudantes.

Todas as Corregedorias Regionais de Educação (CRE), unidade administrativa que dividem a cidade em onze áreas, têm escolas vocacionadas para surdos. Para buscá-las, é preciso ir até a sede da CRE da sua região e indicar a deficiência na matrícula.

‘É importante oralizar o aluno’

— Comecei a estudar os surdos quando recebi alunos com a deficiência. Eu era alfabetizadora e percebi que as alternativas que eu buscava para os surdos me fazia alfabetizar melhor os ouvintes. E também é importante uma política integrada da educação com a saúde para oralizar esse aluno surdo. Há equipamentos e implantes que ajudam muito nesse processo. Mas, para isso, é preciso de um investimento muito alto. Assim, esses estudantes vão ser bilíngues. Eles poderão se comunicar com os outros surdos, com a Libras, e também com os ouvintes — acredita Kátia Rios, especialista em educação de surdos e gerente do Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares (Niap)

‘O professor tem que se capacitar’

— Eu acho que o desafio maior está em desenvolver as aulas visualmente. Também precisa de investimento na própria formação do professor. A partir do momento que o professor se capacita mais nessa área, melhor para o aluno. E também falta as pessoas pararem de olhar com preconceito a língua de sinais. O que a gente tem observado é que as crianças e os jovens ouvintes ficam muito atraídos por essa língua. Eles gostam de aprender e muitos deles trabalham juntos dos professores com os alunos surdos. Cada turma, segundo a nossa regulamentação, pode ter até seis alunos por sala — diz Laura Jane, professora do Laboratório de Libras do IHA.

‘Professor está apegado à fala’

— A questão fundamental para a educação dos surdos é a formação dos professores. Eles precisam se comprometer com o bilinguismo, conhecer esse processo junto de todo aluno e se aproveitar das novas tecnologias. Hoje em dia, os materiais de apoio estão muito mais visuais, o que ajuda muito na educação de surdos. O professor ainda está muito apegado à fala, ao método tradicional de ensino, com a explanação. É preciso estar mais envolvido com novas tecnologias. Fiquei muito feliz quando vi que a redação do Enem era sobre os surdos. Me emocionei. Tirou o surdo da invisibilidade — defendeu Mônica Astuto, professora surda do Laboratório de Libras do IHA.

‘O desafio é o da comunicação’

— O desafio da educação dos surdos é da comunicação. Eles ficam isolados do mundo. É pior ser surdo que ser cego. Ficam na duvida de como se comunicar, por isso eles tendem a ficar juntos, por isso que existe a comunidade surda. Os surdos reclamam muito que eles querem se comunicar e, às vezes, não conseguem nem com o pai e a mãe. Esse é um desafio nosso enquanto sociedade. Imagina você sem ouvir nada? Sempre batalhei muito a questão da vibração e a emoção que eles tiveram na hora em perceber o som, como se eles tivessem ouvindo e participando, se sentindo incluídos — afirma Leila Manhães, pesquisadora do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines).

 

Fonte: Extra

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