Sinais que podem tornar o dia a dia de um surdo mais acessível

O aprendizado da Libras significa melhoria na vida dos deficientes auditivos e também oportunidade para o mercado de trabalho

Os deficientes auditivos passam por situações embaraçosas todos os dias. Às vezes, ao querer informações ou o acesso a um serviço, eles são vistos como pessoas insistentes e desagradáveis. Em outras situações, o silêncio dá um tom desrespeitoso no trato aos indivíduos surdos. Mas essa realidade começa a mudar. Com uma legislação que impõe a inclusão e mecanismos que garantam o atendimento às diferenças humanas, muitos brasileiros estão descobrindo a Língua Brasileira de Sinais (Libras), que é a primeira língua dos surdos. Dominar a Libras pode significar mais do que a comunicação eficiente com os deficientes auditivos. Muita gente enxerga uma oportunidade de reciclagem profissional ou uma alternativa para a reinserção no mercado de trabalho.

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A professora de educação física Karina Coelho Tamanini Henriques e a mãe, a gestora de projetos Regina Viana Coelho, resolveram aprender Libras, por diferentes razões. Enquanto aguarda a nomeação como professora da Secretaria de Educação, Karina quer se especializar no ensino especial. Já Regina, desempregada há um ano, procura diversificar a formação técnica para facilitar uma volta ao mercado de trabalho, com mais bagagem de conhecimentos. “Busco oportunidades. Como não estou conseguindo uma colocação na minha área, resolvi que é hora de pensar em mudar. Fazer o curso de Libras vai me dar a chance de poder trabalhar como intérprete de Libras”, explicou.

Pablo Fernandez Balieiro é formado em pedagogia e história. Há pouco mais de cinco anos, o rapaz trocou a sala de aula por uma nova atividade profissional, no Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF). Pablo, que atualmente desempenha a função de chefe do Núcleo de Cursos, começou a aprender Libras para ampliar a sua formação. Hoje, entusiasmado com o aprendizado da língua de sinais, ele já pensa em até mesmo levar esse tipo de curso para os associados do conselho. “Seria interessante oferecer o curso de Libras também para os nossos profissionais. Assim, eles poderiam atender melhor as pessoas com deficiências auditivas”, enfatizou.

A Língua Brasileira de Sinais despertou mais do que curiosidade no oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores Ernando Neves. O rapaz, que começou a fazer o curso de Libras no início do mês de março por achar fascinante a possibilidade de comunicação sem palavras, descobriu que a lingua de sinais é muito mais rica e dinâmica do que parece, e envolve mais do que simples movimentos de mãos. Além disso, Ernando acredita que o aprendizado está ajudando a abrir a sua mente para um “mundo novo”. “A expressão facial e o contexto da conversa são indispensáveis na Libras. Quando estudo a língua, sinto que aciono áreas do cérebro que não estavam sendo usadas. E também passei a ter uma percepção maior das necessidades das pessoas surdas. Afinal, são dois mundos que, embora vivam juntos, estão desconectados, e não podemos ignorar”, explicou.

Acessibilidade

A constituição brasileira garante a educação como direito e dever do Estado e da família. Estabelece, também, que a educação será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, “visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Para o especialista em Libras e professor Marcos de Brito, da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos do Distrito Federal (Apada-DF), a regulamentação da Língua Brasileira de Sinais, em 2005, trouxe a obrigatoriedade comunicacional para todos os setores da sociedade. “Quanto mais se oferece acessibilidade, mais aumenta a demanda de pessoas interessadas em aprender Libras. Não exatamente para trabalhar diretamente com os deficientes auditivos e, sim, para poder atendê-los — mais e melhor”, explicou.

Para que a comunicação seja naturalmente extensiva aos deficientes auditivos/surdos, Marcos de Brito sugere que o curso de Libras seja oferecido nas escolas, como acontece com o segundo idioma. O ideal, segundo ele, seria tornar a Língua Brasileira de Sinais naturalmente acessível nos colégios, públicos e particulares, como nos Estados Unidos, onde é possível encontrar agentes de trânsito, enfermeiros e funcionários de bancos preparados para se comunicar com os surdos. “Quanto mais cedo se inicia o aprendizado em Libras, maior proficiência na língua a pessoa vai ter. As crianças aprendem mais rápido. Já o aprendizado entre os adultos não é tão simples”, disse.

Capacitação

O Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares do Distrito Federal (Sinproep-DF) saiu na frente para capacitar os cerca de 8 mil associados da entidade. Há quatro anos, o sindicato abriu a primeira turma do curso de Libras e, hoje, contabiliza a participação de 800 professores, ao longo dos anos, nos cursos. No último mês de março, o sindicato passou a oferecer o curso de Libras também para a comunidade. A iniciativa foi um sucesso: o número de inscritos para as 70 vagas, somente na turma de Iniciantes, chegou a 176 pessoas, o que obrigou a coordenação do curso a montar uma lista de espera para atender a demanda.

Além do curso nos níveis Iniciante, Intermediário e Avançado, o sindicato firmou parceria com um grupo privado para oferecer aos associados o curso de pós-graduação em Libras. “O curso de Libras foi uma demanda dos próprios professores para a formação deles. Hoje, se trabalha com a inclusão social nas escolas e esses profissionais precisam estar preparados para receber, em sala de aula, os alunos com deficiência auditiva”, explicou a diretora de formação do Sinproep, Maura Elisabeth Rocha.

As aulas são ministradas por André Moreira Yammine, o que corresponde a ter aulas de um idioma estrangeiro com um nativo. Surdo desde criança, o professor foi alfabetizado em português e depois em Libras. Como a grande maioria dos deficientes auditivos, André teve dificuldades em se comunicar na escola, em uma época em que pouco se falava em inclusão. Mesmo assim, ele se formou em pedagogia pela Universidade Anhanguera e, atualmente, é professor de Libras no Centro Universitário do Distrito federal (UDF) e na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, além de cursos livres na cidade. “É importante aprender Libras para nos conectarmos aos surdos. Sei que parece difícil, mas a língua é muito divertida e, com um pouco de esforço, todos conseguem aprender”, explicou.

Fonte: Correio Braziliense

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